• Carlos Rio

Silêncio, paz e paisagem a perder de vista

Atualizado: 13 de Mai de 2019


Depois de passar uma manhã com as víboras, com o stress, o cuidado e a atenção com que se está permanentemente durante os momentos em que se fotografam esses fantásticos animais, subir ao planalto de Castro Laboreiro foi subir ao Céu! Um planalto maravilhoso com pontos que ultrapassam os mil metros de altitude e onde corre sempre um vento estranhamente apreciado, quem sabe porque completa aquela paisagem, que se alarga por cerca de 40 Km de área!!! O silêncio marca-nos e a visão perdia-se ao longo de quilómetros até "batermos" nas montanhas num lado ou perdermos o horizonte no outro. O planalto tem uma rede de caminhos (felizmente maltratados) que só podem ser percorridos em viatura preparada para todo-o-terreno ou a pé. Ao longo do percurso vamos observando, parece que sempre muito longe, as manadas de cavalos que estão distribuídas por toda aquela área gigantesca do planalto fazendo lembrar as imagens do velho oeste Americano quando, num plano aberto feito de cima de uma montanha, o realizador de um "western" nos mostrava uma gigantesca planície pontuada aqui e ali por manadas de búfalos! E sempre aquele silêncio e aquele vento que nos envolvia na gigante paisagem! Aqui e ali observam-se cenas de caça: ora do Tartaranhão-caçador, ora do Peneireiro-comum. Depois, uma Ógea também se quis mostrar. A surpresa, ou não, foram os Grifos que muito lá em cima e ao longe planavam! As Perdizes e as Cotovias passavam à nossa frente... Foram três horas em que o passeio pelo planalto foi um poético elogio à natureza onde, sem querer, fomos envolvidos e saborosamente esmagados pela imensidão daquele espaço que com naturalidade nos absorveu e nos fez querer ficar ali, apesar de nos sentirmos tão pequenos como efectivamente o somos neste planeta. Uma tarde em terra de Lobos que encheu o espírito de pura natureza!